Sentindo-se invisível no meio da multidão: solidão ou solitude?

Valter Farid Julio

6/12/2026

A solidão é um sentimento subjetivo de desconexão, definido pela dor gerada entre as relações sociais que o indivíduo deseja e as que ele realmente possui.

 

Muitas vezes opta pela “solitude”, que é um ato deliberado de se isolar, dizendo que se sente bem em estar só, procurando estar sozinho e de forma voluntária, diz que é prazerosa essa sensação, focada no autoconhecimento. Este conceito já não está muito bem aceito, requer atenção, principalmente entre adolescentes, pois estes indivíduos, em sua solitude, em maioria, geralmente escondem frustrações, conflitos, bullying, castrações psíquicas ou abusos de várias naturezas.

 

As principais abordagens e entendimentos psicológicos sobre o tema dividem-se em diferentes frentes:

 

Cognitiva: Vê a solidão como um estado de alerta emocional crônico. Indivíduos solitários tendem a interpretar interações sociais de forma mais negativa ou defensiva, o que dificulta a criação de novos vínculos. Poderão apresentar aspectos de melancolia ou aspectos depressivos, ou, ainda, sinais da “AGA” (Ansiedade Geral Aguda). Isto poderá camuflar com a “solidão”. A maioria destes pode optar pelo isolamento, a tal “solitude”, mas nem sempre é. E, sim, “solidão”, o que, caso se torne persistente, pode causar sintomas como: ansiedade, esgotamento mental e sensação crônica de vazio existencial, termo criado pelo psiquiatra Viktor Frankel: o indivíduo poderá ter um aspecto de melancolia, sempre triste, sem saber para onde quer ir, sem brilho no olhar, evita direcionar olhos nos olhos, abaixa o olhar, evita perguntar as coisas, etc.

 

Perspectiva Humanista: Enxerga a solidão como parte da própria condição humana. Cada indivíduo possui experiências, dores e percepções únicas. Estas não podem ser transferidas ou totalmente compreendidas por outra pessoa. Todos carregam uma essência solitária; porém, nem todos manifestam solidão.

 

Visão Psicanalítica: Considera a solidão um "estado de desamparo". Desde o nascimento, dependemos do outro (cuidadores, linguagem, cultura) para sobreviver e nos constituir; a solidão emerge quando há uma ruptura ou falta na rede de apoio, simbólica ou afetiva.

 

Para o escritor e psicólogo Isaías Costa, a solidão na visão de Carl Jung não é a ausência física de pessoas, mas sim a desconexão interna.

 

A verdadeira solidão ocorre quando não conseguimos expressar o que é essencial ou quando nos sentimos incompreendidos em nossa própria essência.

 

A compreensão de Jung sobre esse sentimento, amplamente explorada nos textos de Costa, foca em pilares fundamentais:

 

Incompreensão essencial: Jung afirmava que a solidão surge quando somos incapazes de comunicar aquilo que nos parece importante, ou quando percebemos pontos de vista que os outros julgam inadmissíveis.
Processo de individuação: Estar só é, muitas vezes, um passo necessário para o autoconhecimento. É na solidão que mergulhamos no inconsciente e começamos o processo de individuação, o caminho para nos tornarmos quem realmente somos, integrando-nos à nossa "sombra" (partes ocultas e reprimidas da mente).

 

Transcendência e Coletividade: Em vez de nos isolar em um sofrimento puramente subjetivo, Jung ensinava que devemos buscar a conexão entre nossos problemas pessoais e os acontecimentos gerais do mundo. Quando fazemos isso, a dor da solidão transforma-se em uma questão humana universal, gerando libertação.

 

A ajuda profissional da Psicoterapia auxilia o paciente a identificar as causas (sejam ambientais, sociais ou internas) e a desenvolver conexões mais significativas e um melhor relacionamento consigo mesmo, também em casos em que alterações hormonais e quadros de anemias, poderão apresentar sinais que confundem com solidão; isto devido a apatia ou prostrações que o indivíduo poderá apresentar. Nestes casos, faz-se necessária a ajuda médica.

 

Muitas vezes ouvimos pessoas dizendo que não gostam de festas, nem mesmo festa de família. Geralmente optam por um isolamento, “solidão”, em que, travestidos de opções de que é para que tenha paz de alma. Será?

 

Quando adentramos em clínicas de Psiquiatria, Psicologia, terapeutas, atendimento fraterno, constelação familiar etc., muitos ali buscam soluções aos males, que nem mesmo eles sabem o porquê, nem mesmo aqueles que os atendem. No entanto, a maioria diz adorar a solidão.

 

Será que é isto mesmo?

 

Dentro das Leis Morais, Livro dos Espíritos - Lei de Sociedade (Q. 766), a vida social está na Natureza?
Resposta: Deus criou o ser humano para viver em sociedade.

 

E na Q. 767: O isolamento (solidão) é contrário à lei natural?

 

Resposta: O isolamento absoluto é sim contrário à Lei de Deus, visto que o ser humano procura viver em sociedade por instinto, o que ajudará no progresso mutuamente.

 

Q.769 - L.E.: Ressalta que uma vida de isolamento, “solidão”, por opção, no caso “solitude”, é satisfação egoísta.

 

E você, como se sente? Sente solidão ou optou por solitude?


Referências:

 

A solidão na visão de Carl Jung.

 

Livro “A Consulta”, de Valter Farid Júlio.

 

Conexão Saúde: 10 de julho de 2024. Solidão: causas, sintomas e tratamentos e o que fazer quando você sentir solidão.

 

L. E: Cap. VII- Allan Kardec. Lei de Sociedade.


Valter Farid Júlio, comunicador na RBN e TV Mundo Maior, no Pronto Atendimento às sextas-feiras- 11h; escritor, colaborador em vários artigos na página do “Portal Mundo Maior”; biólogo, professor e consultor em produtos oncológicos (aposentado); colaborador em três Centros Espíritas, como expositor e dirigente: Gebem-Guarulhos SP (Rua Castelo Branco, 279, V. Barros - onde tem à venda meus livros), e CEMyN e Associação Onofre Godoy, em Nazaré Paulista (SP); membro do Grupo Escritores de Nazaré Paulista SP (ENP), @vfaridjulio. Autor dos livros (psicografia) “Dody, o Papagaio Fujão”; “Um Menino À Procura De Sua Alma”; “Lily, a Maritaca Sábia”; estes pelo Espírito Tia Marta, e “A Consulta” - livro de autoajuda, todos à disposição na livraria do Gebem Guarulhos- SP.