Como vimos no anterior post, Os exilados: Será o fim do mundo?, os espíritos superiores estudaram, elaboraram modelos e compreenderam as leis que regem a evolução dos mundos habitados. Estudando os orbes em diferentes estágios, chegaram ao seguinte esquema simplificado, para nosso entendimento:
- Primeira fase: mundo primitivo.
- Segunda fase: mundo de expiações e provas.
- Terceira fase: mundo de regeneração.
- Quarta fase: mundo feliz.
Esse processo evolutivo dos mundos está explicado em nossa obra Revolução Espírita, cuja leitura sugerimos, mas aqui vamos dar um desenvolvimento diferente, quanto a essa lei natural.
O mundo primitivo foi o que ocorreu em nosso planeta durante o surgimento do homem, pela evolução dos hominídeos, a família da ordem dos primatas que deu origem à única espécie que sobreviveu atualmente, a nossa: homo sapiens sapiens.
Não é correto dizer que evoluímos dos macacos, pois eles formam outra família de espécies. Os hominídeos incluíam os extintos neandertais, australopitecos e também a nossa. Há cerca de setenta milhões de anos, quando surgiram os primatas, seguiram caminhos evolutivos diferentes os hominídeos e os pongídeos, que inclui as espécies atuais como gorilas, chimpanzés, orangotangos e os gibões.
A principal diferença dos hominídeos foi a postura ereta, a locomoção pelos dois pés no solo, diferente dos pongídeos que se deslocavam com a ajuda dos braços. Depois foram surgindo comportamentos próprios como a confecção de instrumentos, como as lascas de pedra, vasilhas, e também a linguagem verbal. Há um milhão de anos, dominaram o fogo, fazendo suas fogueiras na caverna, mantendo-se aquecidos e cozinhando.
Em determinado momento desse processo evolutivo da espécie humana, na transição desde os animais, seus ancestrais, começaram a encarnar os espíritos humanos. A diferença é que, enquanto a alma dos animais transmigra depois da morte para outro corpo, numa evolução sem noção de tempo, a alma humana permanece consciente de si mesma, e passa a conhecer o mundo espiritual após a morte. Aos poucos, desde as suas primeiras vidas, a alma humana explora, aos poucos, o ambiente do planeta após a morte. Inicialmente, dizem os espíritos, ficam próximos dos seus congêneres, ali na segurança da caverna. Só com muitas e muitas vidas é que vai despertando a inteligência e o senso moral, junto ao desenvolvimento do livre-arbítrio, a partir do qual passa a ser senhor de suas escolhas.
A moral, verdadeiramente, é uma conquista evolutiva. Quando o espírito nada sabe, ainda não compreende, age por instintos. Esse impulso natural o guia adequadamente. Aos poucos, vai adquirindo consciência, e então compreende o que deve ou não fazer. O guia seguro dessas descobertas é a sua consciência. As leis de Deus estão nela gravadas. Está em si mesmo o guia seguro de seu desenvolvimento. A verdadeira moral se estabelece por um processo de autonomia.
Mas os desafios da vida primitiva são pesados e instintivos. Os primeiros humanos seguiam um modo de viver natural de sua espécie. Os avanços foram lentos. Toda a população de almas que reencarnavam em nosso planeta estavam vivenciando essa experiência pela primeira vez, como explicam os espíritos em O evangelho segundo o espiritismo:
“As raças a que chamais selvagens são formadas de Espíritos que apenas saíram da infância e que na Terra se acham, por assim dizer, em curso de educação”
Um fato extraordinário, porém, estava por acontecer.
Enquanto em nosso planeta os homens primitivos dividiam as florestas, savanas e geleiras com os animais, caçando e colhendo frutos selvagens para se alimentar, se abrigando em cavernas, mudando de lugar assim que os recursos se escasseavam, um outro planeta distante, com afinidades com a nossa humanidade, vivenciava uma fase muito a frente em sua evolução.
Nesse outro planeta, seus habitantes já conheciam o progresso da tecnologia. Viviam o conforto de quem compreendeu as leis naturais para aplacar a fome, o frio, gerar abrigos seguros e tudo o que hoje boa parte de nós usufrui. Mas a humanidade desse planeta já havia adquirido uma compreensão melhor dos valores morais, da solidariedade, da necessidade de oferecer condições iniciais da vida para todos os indivíduos, dando grande valor à igualdade e à liberdade. Substituindo os privilégios pela oportunidade igual para todos, esse mundo vivenciava uma salutar regeneração de seus habitantes. A grande maioria das pessoas, antes agindo de forma egoísta, compreenderam o valor da solidariedade, a segurança e bem estar que se conquista com ele, e abandonaram o pensamento fixo em si mesmo.
Uma parte desses indivíduos, no entanto, impregnados do egoísmo e orgulho, não queriam abrir mão do poder e dos privilégios. Sua condição moral não estava mais adequada a esse planeta, eles destoavam da maioria, estavam perdendo a oportunidade de continuar ali, não por castigo, mas em virtude da evolução natural das coisas. Seguindo então, essas leis naturais, tornaram-se exilados desse planeta, passando a reencarnar em nosso mundo primitivo, a Terra há mais de dez mil anos passados.
Para eles, esse fato foi um marco terrível. De forma alguma eles retroagiram ou deram um passo atrás na evolução, isso não ocorre. Em verdade eles se tornaram incompatíveis com a fase evolutiva na qual a maioria de sua humanidade se empenhava. Eles estavam em busca da felicidade merecida, e nada pode impedir esse destino planejado por Deus.
Os exilados representaram os espíritos em expiação em nosso planeta, e foram eles mesmos que deram início às primeiras civilizações da Terra. E é exatamente esse detalhe que escapa de quem estuda o espiritismo. Apesar de nosso planeta estar vivenciando a fase de expiações e provas, a grande maioria dos espíritos não estão nessa condição. Explica o Evangelho segundo o espiritismo:
Entretanto, nem todos os Espíritos que encarnam na Terra vão para aí em expiação. As raças a que chamais selvagens são formadas de Espíritos que apenas saíram da infância e que na Terra se acham, por assim dizer, em curso de educação, para se desenvolverem pelo contato com Espíritos mais adiantados.
A tarefa dos exilados seria ensinar as massas de almas primitivas da Terra. Continua a explicação dos espíritos:
Os Espíritos em expiação, se nos podemos exprimir dessa forma, são exóticos, na Terra; já tiveram noutros mundos, donde foram excluídos em consequência da sua obstinação no mal e por se haverem constituído, em tais mundos, causa de perturbação para os bons. Tiveram de ser degradados, por algum tempo, para o meio de Espíritos mais atrasados, com a missão de fazer que estes últimos avançassem, pois que levam consigo inteligências desenvolvidas e o gérmen dos conhecimentos que adquiriram. Daí vem que os Espíritos em punição se encontram no seio das raças mais inteligentes. Por isso mesmo, para essas raças é que de mais amargor se revestem Os infortúnios da vida. E que há nelas mais sensibilidade, sendo, portanto, mais provadas pelas contrariedades e desgostos do que as raças primitivas, cujo senso moral se acha mais embotado.
A missão dos exilados era a de libertar os povos primitivos, explicando que a lei que rege o mundo espiritual é a da autonomia intelecto moral. No entanto, eles, em virtude mesmo do egoísmo e orgulho que se revestiam, dominaram os povos que aqui encontraram, considerando-os submissos, e fazendo uso deles para favorecer seus desejos de poder e privilégio. Mas essa é outra história.
Vamos parando por aqui. Num próximo post dessa série Exílio, continuaremos. Até lá!






