O que a Doutrina Espírita nos ensina sobre o analfabetismo existencial

Armando Januário dos Santos

6/17/2024

Januário 1

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem 9,3 milhões de pessoas analfabetas. Desses, 8,3 milhões estão acima dos 40 anos e 46% da população sequer tem a Educação Básica completa. Todavia, a pesquisa não mede o quantitativo de analfabetos existenciais. Com efeito, não são poucos aqueles colonizados psicologicamente. Se permitem o encarceramento pela superficialidade de tendências momentâneas, ainda que para isso sacrifiquem a própria individualidade.

 

Respeitando o livre-arbítrio, a Doutrina Espírita apresenta possibilidades para a transformação dessa forma estacionária de vida. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 17, parágrafo 3, encontramos a trajetória necessária para abandonar a fugacidade e adquirir real sentido para as nossas existências. A partir da fé no amor e na justiça de Deus, encaramos os embaraços da vida sem murmúrios, como oportunidades de crescimento. Essa fé se encontra em íntima relação com a mensagem do apóstolo Paulo, conforme Tiago 1:3-4, porquanto conduz a paciência e perfeição, não deixando ninguém desamparado. Perseverando nas adversidades, ganhamos habilitação para novos desafios e subimos os degraus da evolução espiritual, conhecendo a importância que temos para a Espiritualidade Maior.

 

O caminho apontado pelo Evangelho Segundo o Espiritismo é a prestação de serviços aos aflitos, a sublime caridade em amparar os desesperados. Em uma sociedade hedonista, isso é considerado démodé; exatamente nesse ponto, a mensagem espírita atravessa os tempos, ao propor o amor caritativo como maneira de progredir na senda do Bem. De fato, quando escutamos a dor dos outros, fazemos como Jesus que se compadeceu das multidões, verdadeiras ovelhas sem pastor (Mateus 9:36).

 

O Mestre Maior amparou os desprovidos de sentido existencial, sem esperar qualquer reconhecimento. A Sua generosidade deve ser nosso exemplo. O auxílio para quem desconhece o significado da própria vida mitiga traumas, viabiliza relações felizes e é fundamental para a evolução de todos. Em verdade, feliz é quem abraça as ignorâncias do outro, sem esperar coisa alguma. Ele aguarda a flor de lótus brotar da lama imunda. 

 


 

1 Armando Januário dos Santos é Trabalhador da Luz, Mestre em Psicologia, Psicólogo (CRP-03/20912) e Palestrante. Contato: (71) 98108-4943 (WhatsApp).