Vivemos num mundo cheio de palavras, mas vazio de escuta. Entre julgamentos, opiniões e frases lançadas ao vento, uma verdade salta aos olhos da alma: aquilo que dizemos sobre os outros revela mais sobre quem somos do que sobre quem julgamos. É como se cada palavra fosse um espelho, refletindo nossas virtudes e fraquezas. Mas será que estamos prontos para encarar esse reflexo?
A voz que desnuda a alma
Cada vez que falamos dos outros, deixamos escapar pedacinhos do nosso ser. Nossas críticas, elogios e julgamentos não são apenas sobre quem ou o que mencionamos; eles carregam as marcas das nossas experiências, das nossas crenças e até das nossas feridas. É como se o outro fosse uma tela e, ao falar dele, projetássemos nossas cores – algumas vibrantes, outras desbotadas.
No espiritismo, aprendemos que somos espelhos uns dos outros. O que enxergamos no próximo reflete muitas vezes o que ainda não compreendemos em nós mesmos. Quando criticamos com dureza, será que não estamos apontando um defeito que nos incomoda em nossa própria caminhada? E quando elogiamos generosamente, talvez estejamos admirando um ideal que desejamos alcançar. Assim, o outro se torna uma oportunidade divina para nos conhecermos melhor.
O eco da fala, no universo
Neste mundo digital, onde as palavras se espalham com a velocidade de um pensamento, esquecemos que toda ação tem uma reação. É a lei de causa e efeito em movimento. Quando emitimos críticas, elas ressoam como ecos, voltando para nós com a força da nossa própria intenção. Se lançamos ao universo palavras de amor, a vibração que retorna nos enche de paz. Mas se espalhamos ofensas, não é de se estranhar que colhamos inquietação. As redes sociais, como qualquer ambiente de convivência, são campos de aprendizado. Quando escolhemos criticar com maldade, revelamos nossa intolerância, nossa dificuldade em acolher. Mas quando nos esforçamos para enxergar o lado bom de alguém, mesmo em meio às imperfeições, iluminamos nossa própria jornada. Nossas palavras são sementes; o que desejamos colher?
A linguagem como como reflexo do espírito
No olhar espírita, a palavra é uma força viva, uma energia que carrega nossa essência. Allan Kardec nos ensina que o espírito é conhecido por suas ações e pensamentos. Assim, toda vez que julgamos, nossas palavras são um espelho que revela nosso estado íntimo. E não há como fugir desse reflexo: ele nos desafia a olhar para dentro e a perguntar com sinceridade – o que estou manifestando ao falar do outro? Se criticamos a fraqueza alheia, será que não estamos tentando esconder nossas próprias fragilidades? Se exaltamos a coragem de alguém, não estamos reconhecendo um traço que aspiramos fortalecer? O uso consciente da palavra é um ato de caridade, tanto para com os outros quanto para conosco. Afinal, a palavra que fere também nos machuca; a que edifica nos eleva.
Um chamado à transformação
Saber que nossas palavras nos refletem é um convite ao despertar. Estamos falando para construir ou para destruir? Para elevar ou para rebaixar? Essa escolha nos coloca diante de uma responsabilidade espiritual. Se somos herdeiros de nossas ações, o mesmo vale para nossas palavras: cada palavra que emitimos é uma chance de moldar quem somos, de alinhar o que dizemos com aquilo que desejamos ser. Antes de julgar ou criticar, vale a pena fazer uma pausa. Será que o que estamos prestes a dizer é útil, verdadeiro e necessário? Essa prática, ainda que desafiadora, é um exercício de humildade e amor. Ela nos ajuda a moldar um espírito mais harmonioso, alinhado com os ensinamentos do Mestre Jesus, que sempre usou as palavras para curar e consolar.
O poder de reescrever a história
Se cada palavra é um espelho, então também é uma oportunidade. Podemos escolher palavras que iluminem, que acolham, que inspirem. Ao fazê-lo, não apenas ajudamos os outros, mas também nos transformamos. Como nos ensina a doutrina espírita, somos artífices do nosso destino, e cada gesto, pensamento e palavra contribui para a nossa evolução. No fim, o que dizemos sobre os outros é um retrato do que estamos construindo em nós. Que possamos, com esforço e fé, usar as palavras como instrumentos de luz, espelhando a essência divina que habita em cada um de nós. Porque, no reflexo das palavras, encontramos o caminho para crescer, para aprender e para amar como Jesus nos ensinou.
© 2025, Flávio Monteze






