Em uma terra quente e poeirenta, sob um céu que parecia eterno, nasceu um menino de luz, sob a estrela que anunciava sua vinda. Em Belém, onde reis se curvaram perante a humildade de um estábulo, o Filho de Deus foi embalado por Maria e guardado por José, o carpinteiro. Seu nome era Jesus, e mesmo criança, os olhos que olhavam para o mundo refletiam uma sabedoria que o tempo não poderia conter.
Na aldeia de Nazaré, Jesus crescia em graça, aprendendo o ofício de seu pai terreno. Com mãos calejadas esculpia a madeira, enquanto seu coração pulsava com o desejo de moldar o espírito humano. Aos doze anos, foi encontrado no templo, debatendo com sábios, para espanto de todos que ouviam. “Não sabíeis vós,” disse ele a seus pais com um brilho sereno, “que devo estar na casa de meu Pai?”
Anos se passaram. O menino se tornou homem, e o chamado divino fortaleceu. Quando chegou à idade de trinta anos, buscou João Batista no deserto e, nas águas do Jordão, foi batizado. O céu se abriu e uma voz anunciou: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” O Espírito o conduziu ao deserto, onde jejuou e enfrentou a tentação. “Nem só de pão viverá o homem,” disse ele ao tentador, “mas de toda palavra que sai da boca de Deus.”
Retornando, Jesus começou sua jornada como mestre. Não escolheu palácios, mas os humildes caminhos da Galileia. Seus discípulos eram pescadores, cobradores de impostos, homens comuns, chamados a deixar tudo para segui-lo. Com palavras simples, ele falava de um Reino ao mesmo tempo distante e acessível: o Reino de Deus. Também falava das bem-aventuranças e do amor que não conhece barreiras, mesmo a corações embrutecidos: “Amai a Deus com todo o coração,” ensinava, “e amai ao próximo como a vós mesmos.”
Em suas mãos, tocando leprosos e curando cegos, havia poder; em seus lábios, a promessa de redenção.
A multidão o seguia, pois em sua presença o desespero encontrava consolo. No monte, ele ensinava sobre o perdão e a misericórdia; nas casas, partilhava pães e peixes, multiplicando não apenas alimentos, mas esperança. Mas entre os poderosos, suas palavras despertavam medo. Que líder era este que falava com tanta autoridade? Por que tantos viam nele um rei?
Certa vez, lhe trouxeram uma mulher acusada de adultério, para que ele a julgasse. Os homens estavam prontos, com pedras nas mãos. Mas ele apenas se inclinou e escreveu na areia. “Aquele que dentre vós estiver sem pecado, atire a primeira pedra.” E, se erguendo com olhar firme, encarou aqueles homens, já preparados para o massacre. Um a um, os acusadores se foram deixando ali, a mulher em lágrimas. “Vai, e não peques mais,” sussurrou ele, não com condenação, mas com graça.
Ainda assim, a oposição contra ele crescia: os líderes religiosos o viam como uma ameaça. Mas Jesus continuava: semeando o bem, expulsando demônios, trazendo os marginalizados para o centro da mesa. Falando de um novo pacto, um reino não deste mundo, e isto era perigoso para aqueles que amavam o poder terreno.
O fim se aproximava, bem o sabia. Mas Jesus seguia sua vida.
Certa manhã, Ele entrou em Jerusalém montado em um jumento, saudado pela multidão com palmas e hosanas, mas sabia o destino que O aguardava. Então, reuniu seus amigos uma última vez em torno de uma grande mesa, partiu o pão e ofereceu um naco a cada um dos seus 12 amigos. Ato contínuo, ofereceu um cálice de vinho, dizendo com amor e tristeza no olhar: “Este é o meu sangue – que será derramado por vós.” E mesmo Judas, já decidido a traí-lo, calmamente sorveu o vinho do cálice, oferecido por Jesus.
Após a ceia, no jardim de Getsêmani, no sopé do Monte das Oliveiras, Jesus orou com intensidade: “Pai, se possível, afasta de mim este cálice; contudo, faça-se a tua vontade.”
Traído com um beijo, foi preso, levado de tribunal a tribunal, açoitado e zombado. Pôncio Pilatos, governador da província da Judeia, mesmo que hesitante, não interveio em favor de Jesus, mas se limitou a deixá-lo à fúria dos que gritavam por sua crucificação.
Na Gólgota, situado nos arredores de Jerusalém, Jesus encontrou seu Calvário entre dois ladrões. Erguido em uma cruz, com pregos transpassando mãos e pés, olhou Jesus para seus algozes, e mesmo em face a tanta dor e sofrimento, ainda encontrou forças por advogar por toda a humanidade, ali representada pelos romanos: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem.” Até o último suspiro, seu amor e sua dor se misturavam. “Está consumado,” murmurou, antes de entregar seu espírito.
O céu escureceu, a terra tremeu, e parecia que tudo estava perdido. Mas, no terceiro dia, a pedra foi removida e o túmulo estava vazio: Ele ressuscitara, como prometera, e em suas aparições aos discípulos, mostrou que a morte não o poderia reter. O amor triunfara.
Assim, Jesus – o Cristo, o carpinteiro, o mestre, e o Filho de Deus – deixou um caminho que atravessa séculos, chamando a humanidade à luz, ao amor e ao sacrifício. Pois sua vida e obra são, em verdade, a maior história já contada. E embora não tenha deixado nenhum escrito próprio, suas palavras e ensinamentos ecoaram através dos tempos, moldando corações e mentes de incontáveis gerações, até chegar ao nosso tempo. Sua sabedoria transcendeu os limites da palavra escrita, se tornando vida e ação – desafiando e inspirando os homens a amar, perdoar e buscar um propósito mais elevado.
Como o maior filósofo que já caminhou pela Terra, sua mensagem de compaixão e justiça continua a iluminar caminhos, convidando a humanidade a refletir, transformar e alcançar a verdadeira plenitude de espírito.
Flávio Monteze
Graduado em Ciências Sociais e pós-graduado em comunicação pela Faculdade Cásper Líbero. Comunicador espírita, trabalhador voluntário do Grupo Espírita Bezerra de Menezes -Gebem- Guarulhos.






