O tempo não é um tirano a ser obedecido nem um mistério a ser desvendado. É um rio manso que corre pela eternidade. Cada ano que nasce é um convite à renovação, ao trabalho, a busca constante pelo melhor de nós.
O cristão sabe que milagres não acontecem ao simples soar da meia-noite. Os fogos iluminam o céu, mas as sombras do espírito humano exigem esforço para serem dissipadas. O ano novo chega como uma criança cheia de potencial, mas que precisa ser cuidada, orientada e guiada. Não é o tempo que nos transforma, mas aquilo que escolhemos fazer com ele.
A Terra é um campo de aprendizado, e cada novo ciclo nos oferece uma chance de corrigir erros, ajustar nossos passos e valorizar o essencial. O cristão não pede paz ao ano que se aproxima; ele oferece sua própria paz para ajudar a construí-lo.
O ano novo, como o velho, traz desafios e dores, mas também um fio invisível de esperança que nos conecta ao Criador, ao próximo e a nós mesmos. Por mais árduo que seja o caminho, ele é sempre o certo, pois é nele que se aprende e se cresce.
Com serenidade, o cristão acolhe o novo ano como uma nova oportunidade. Não se prende ao que passou, nem se angustia pelo que virá. Vive o presente, com a certeza de que o hoje é a única ferramenta para moldar o futuro.
No íntimo, ele enxerga no ano novo o mesmo que vê em cada amanhecer: mais um capítulo. Escrevamos nele com cuidado, amor e fé. Não pelos aplausos, mas porque a história não é de um só; é de todos nós.
E quando o relógio anuncia a meia-noite, ele não faz promessas ao ano que nasce. Promete a si mesmo, em silêncio: ser luz onde houver sombra, ser ponte onde o abismo ameaça. O ano novo não é um presente, é uma oportunidade. E oportunidades, todos nós sabemos, nunca se perdem. Sempre retornam.
Flávio Monteze
Graduado em Ciências Sociais e pós-graduado em comunicação pela Faculdade Cásper Líbero. Comunicador espírita, trabalhador voluntário do Grupo Espírita Bezerra de Menezes -Gebem- Guarulhos.






