Fantasias espirituais e o chamado Divino

Armando Scarpino

1/14/2026

A Parábola do Festim das Núpcias revela o movimento da alma diante do convite de Deus. O Rei simboliza o Criador; a festa, o Reino dos Céus — a plenitude que a vida espiritual oferece. Os servos representam os mensageiros da luz, e os convidados somos todos nós, Espíritos em jornada evolutiva.

 

Muitos, porém, recusam o chamado. Absorvidos pelas preocupações do mundo — pelos “campos” e “negócios” — deixam de ouvir a voz suave que convida ao despertar interior. Assim como os profetas foram ignorados no passado, também hoje muitos fecham o coração às inspirações elevadas.

 

Quando Jesus diz que o Rei chamou “bons e maus”, ensina que a misericórdia divina é universal. Todos são convidados. Mas para permanecer na festa é preciso trajar a veste nupcial, símbolo da pureza e da renovação moral. Essa veste é construída lentamente, pelo esforço constante em viver as leis divinas, pelo cultivo do bem e pelo amor que transforma.

 

“Muito será pedido a quem muito recebeu”. Quanto mais luz recebemos, maior é nossa responsabilidade diante da vida. A verdadeira evolução nasce da mudança interior, que modela o corpo espiritual e prepara a alma para patamares mais altos de felicidade.

 

As ilusões do mundo

 

Entretanto, o mundo oferece fantasias sedutoras: vidas perfeitas em revistas e telas, sorrisos forçados, felicidades artificiais. Muitos buscam prazer no prazer alheio, bebendo ilusões como se fossem verdades. Mas o que parece brilho muitas vezes encobre corações feridos e vazios.

 

Joanna de Ângelis conta a história da mulher enterrada em seu carro de luxo, mas que no plano espiritual caminhava a pé. É um lembrete de que nada do que é material tem valor além da sepultura. Apenas o que construímos na alma permanece.

 

Desfazer as vendas

 

Despir-se das ilusões é aceitar o convite divino. É perceber que Deus nos chama diariamente à transformação, à honestidade, ao trabalho digno e ao amor que ilumina.

 

Que possamos ouvir esse chamado, preparar o coração, e vestir, com sinceridade, a veste luminosa da renovação interior.

 

Somente assim ingressaremos no banquete da vida espiritual, onde habita a verdadeira felicidade.