Expressar sentimentos nem sempre é uma tarefa fácil, principalmente quando vivemos em um mundo onde queremos demonstrar "força" e "equilíbrio".
O fato é que para nos conectarmos de ser humano para ser humano, precisamos falar dos nossos sentimentos, abrindo nossa vulnerabilidade para que o outro também se sinta motivado em falar da vulnerabilidade dele. É nesse lugar de vulnerabilidade tão precioso, a meu ver, que cada um ali pode ser quem realmente é, sem medo de ser julgado ou criticado.
Com a comunicação não-violenta vamos aprendendo que não existem sentimentos "certos" ou "errados" e sim sentimentos confortáveis e desconfortáveis. Sentimentos confortáveis como os de alegria, entusiasmo e inspiração podem ter as necessidades de propósito, afeto e amor atendidas. Já sentimentos de tristeza, frustração e decepção podem ter as necessidades de ordem, eficácia e pertencimento, por exemplo, não atendidas.
Para falarmos de sentimentos também precisamos ter consciência da intenção por trás do que vamos falar.
Numa frase: "Estou triste porque você não veio me ver", pode soar como uma frase em que eu estou colocando a responsabilidade da minha tristeza na atitude do outro e isso pode gerar desconexão.
Se eu assumo a responsabilidade dos meus sentimentos, posso formular uma frase de maneira diferente.
Em vez de dizer: "Estou triste porque você não veio me ver", posso dizer: "Estou triste porque estou precisando de companhia".
Dessa frase, eu assumo a responsabilidade dos meus sentimentos a partir da minha necessidade não atendida.
Ao assumir essa responsabilidade e identificando minhas necessidades, posso buscar estratégias para atender essas necessidades, seja conversando com outro amigo, seja visitando um parente ou saindo com meu pet para passear.
Algumas palavras também devem ser evitadas, pois indicam mais o julgamento que fazemos dos outros do que os nossos próprios sentimentos.
Por exemplo: "Eu me sinto rejeitada" ou "abandonada" ou "desvalorizada".
Porque todas essas palavras indicam que alguém está fazendo isso.
A palavra "rejeitada", "abandonada" ou "desvalorizada" posso trocar por "frustrada", "chateada" ou "triste", que implicam sentimentos meus, sem fazer alusão a outras pessoas.
Isso pode diminuir bastante a escalada de um conflito e pode abrir um espaço maior para o diálogo.






