Um grão de mostarda. Isso seria suficiente para mover montes, conforme o Mestre Jesus nos ensinou em Mateus 17:20. No entanto, como atingir esse estágio de iluminação, quando, tomados por nossos egos e pelos desafios, cedemos aos convites para o pessimismo?
Devo dizer que é tentador ser pessimista e desacreditar de tudo. Tentador e mais prático: basta culpar os governantes, os vizinhos, o trabalho e tudo estará resolvido. Afinal, “o inferno são os outros”, conforme aprendemos na peça Entre Quatro Paredes, de Jean-Paul Sartre.
Simplesmente, encontraremos um culpado, principalmente se for um irmão espiritual menos adiantado, que pode estar ao nosso lado, nos fazendo convites para o atraso, como por exemplo, o abuso do álcool e um relacionamento extraconjugal.
A questão que estou propondo aqui é bastante simples: onde está nosso livre-arbítrio, quando recebemos um banquete de decepções, medos e perversidade para alimentar a nossa mente? A maioria de nós afirma: “a vida me deu uma rasteira”.
A Doutrina Espírita nos convida para pensar de modo diferente. A “rasteira” dessa vida é a oportunidade da evolução batendo à nossa porta, para que a Luz dentro de nós brilhe perante todas as pessoas, e, assim, Deus seja glorificado (Mateus 5:16). A “rasteira” dessa vida é a consequência de inúmeros equívocos que cometemos em existências anteriores, e, graciosamente, temos, pela misericórdia de Deus, a oportunidade de corrigir.
Lemos em O Livro dos Espíritos: entre os atributos de Deus, encontramos sua soberana justiça e bondade. Logo, não é a vida que nos impõe rasteiras, somos nós mesmos os responsáveis por nossos fracassos. Porém, ao invés de castigos eternos, úteis apenas para afirmar uma face cruel de Deus, a qual totalmente inexistente, nos afasta de Seu amor infinito, temos, a cada renascer, chances de aprimoramento.
Vamos alimentar nossa fé. Primeiro, devemos retirar de nossas vidas tudo aquilo que nos convida para o atraso: as tolices desse mundo não devem ser motivo de riso para nós. Pelo contrário, devemos nos comportar com atitudes cheias do Espírito de Verdade.
Será que somos aqueles, com piadas discriminatórias contra grupos historicamente estigmatizados? Ou acolhemos a todas as pessoas, sem julgamentos?
Nos manter firmes na fé em um mundo que glorifica a vingança é desafiador. Você que chegou até aqui e procura não agir dessa forma, possivelmente já foi tachado de idiota, simplesmente por não concordar com afirmações de ódio; antes, você abraçou a Boa Causa do Bem e da Justiça. Isso mesmo, você está se mantendo positivo, apesar dos desafios.
Com o tempo, você sente o afastamento de algumas pessoas: de alguma forma, elas não encontram sintonia para fofocar, espalhar fake news, tampouco para lhe convidar ao ódio. Porém, se você ainda não chegou nesse estágio, fique tranquilo: continue fazendo o bem, despretensiosamente.
Torne-se um espelho de Cristo, com atitudes simples: ajudar uma pessoa com dificuldades físicas a atravessar a rua, ceder o lugar na fila para pessoas mais velhas e não reagir a calúnias. Dentro do possível, deixe os caluniadores falando sozinhos; eles não aguentam ficar sem plateia. Acredite: aqueles que lhe acusam sem fundamento, são as melhores fontes de motivação. Aqueles que desconfiam de você e lhe atribuem ações que não são suas, são meios trazidos pela Espiritualidade para o seu crescimento. Ser o contrário deles, não é ser melhor: apenas é uma escolha coerente.
Essa trilha, brevemente explorada aqui, não significa felicidade constante, tampouco positividade diária. Pelo contrário, haverá dias que nossas ações serão negativas. A diferença se encontra em persistir em fazer o bem, mesmo caindo muitas vezes nas ciladas da maldade. Esse esforço, também denominado reforma íntima, nos ajuda a prevalecer, até chegar o momento de nossa partida para a Verdadeira Vida, quando falaremos para nossa própria consciência: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé”(2 Timóteo 4:7).
2 Bíblia de Jerusalém
Armando Januário dos Santos é Ser Humano, Cristão Espírita, Mestre em Psicologia, Psicólogo (CRP-03/20912), Palestrante e Escritor. Contato: (71) 98108-4943 (whatsapp).






